Imprinting

Se você já assistiu a saga Crepúsculo, deve ter ouvido falar sobre o imprinting.

Na saga, os lobisomens passam por um incidente onde, sem qualquer motivo, se tornam incondicionalmente ligados à um ser do sexo oposto.

Imprinting

Tal como ocorre conosco, os cães aprendem muito do que é importante durante a primeira infância. Essa é a fase mais crucial de sua vida, e é nela que ocorre o imprinting.

O imprinting, que pode ser traduzido como “marcando”, é exatamente isso, o ato de se espelhar em algum ser para viver.

Os filhotes recém nascidos sofrem um imprinting pelo primeiro ser vivo que eles visualizam, ou seja, sua própria mãe. Após isso, eles passam à segui-la em busca de proteção e alimento, e tendem à copiar seu comportamento, para aprender à conviver em grupo e à sobreviver.

Esse é um fenômeno herdado por seus ancestrais, os lobos, que precisam do imprinting para serem aceitos em uma alcatéia, onde devem respeitar sua hierarquia.

Descobertas

Este processo complexo foi descoberto e documentado por Konrad Lorenz, um naturalista austríaco que ganhou o Prêmio Nobel por seus estudos sobre o comportamento animal.

No estudo, Konrad observou que os filhotes aprendem através da convivência com sua mãe, irmãos, outros animais e seres humanos, à se comunicar e comportar em sociedade.

Nesta fase, que dura até aproximadamente os quatro meses de idade, é quando o cão aprende à ser um cão, formando sua personalidade e compreendendo o mundo ao seu redor.

É um momento crítico, onde ele está muito sensível à todos acontecimentos. Portanto, tudo o que for mal compreendido nessa fase, poderá ser difícil de corrigir no futuro.

Cães que foram separados muito cedo da ninhada, passam à ver os humanos como seu imprinting. Isso explica os casos onde, mesmo sendo maltratados, cães seguem fielmente os humanos.

Problemas

Quando um filhote é retirado de sua mãe aos 30 ou 45 dias, ele perde a oportunidade de aprender sobre a convivência entre os cães, sobre o respeito pela a hierarquia, e poderá não compreender bem seu posicionamento em uma sociedade.

Ele terá de aprender quem é somente com os humanos que o cercam, podendo ver-se como um homem ou confundir o humano com um cão, o que gera futuros desvios de comportamento.

Cães que foram arrancados do convívio da sua família, geralmente são aqueles cães que se tornam desobedientes, demasiadamente brabos e que mordem sem avisar.

Muitos dos casos de ataques ao próprio tutor, provém de um cão sofrido e confuso que busca se tornar o Alfa da matilha, pois vê o homem como outro cão.

Geralmente, cães que sofrem de Ansiedade de Separação, também têm essa dependência emocional por consequência da separação precoce de sua ninhada.

Conclusão

Criadores competentes não comercializam seus filhotes antes dos 60 dias de vida.

Caso ele deixe o futuro tutor levar o filhote antes desse prazo, desconfie de sua idoneidade.

Infelizmente, mesmo sabendo que é errado, grande parte dos criadores visam apenas o lucro, e liberam os filhotes com cerca de 45 dias de vida.

Pode parecer pouca diferença, mas 15 dias são uma eternidade de aprendizado.

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