A terrível Leishmaniose

Com o novo surto de Leishmaniose, muitas dúvidas foram levantadas, mas quase nenhuma explicação foi vista.

A primeira coisa que gostaria de dizer, é que cão não é o vilão, mas sim, a vítima.

Doença

A leishmaniose, também conhecida como doença do mosquito, é uma doença causada pelo protozoário Leishmania infantum.

Embora possa atingir os gatos, os cães são os animais domésticos que mais sofrem com essa doença, atuando como portadores.

O parasita leishmania se multiplica na medula óssea, no baço e nos gânglios linfáticos.

A doença pode ser mortal, caso não seja rapidamente iniciado o tratamento veterinário.

Tecnicamente, é considerada uma zoonose, pois pode afetar o ser humano.

Contágio

A leishmania é transmitida através da picada da fêmea de um mosquito palha, pertencente ao gênero Phlebotomus. Ele, e somente ele, faz a transmissão da doença.

A crença de que pessoas possam pegar leishmaniose de animais infectados, é falsa. Ou seja, essa é uma doença canina, que pode infectar outros animais através da transmissão feita pelo mosquito.

Para que a transmissão aconteça, é necessário que o mosquito pique um cão infectado e ingira algumas leishmanias. Com o passar de uma semana, os parasitas se tornam infectantes, dentro do mosquito. Após esse processo, quando o mosquito picar outro animal ou um ser humano, ele transmitirá a doença.



Sem mosquito, a doença não pode ser transmitida!

Sintomas

Como o parasita invade diversos órgãos, existem muitas reações causadas por ele. Em animais, os principais sintomas apresentados, são:

  • Debilidade
  • Apatia profunda
  • Feridas na pele que não cicatrizam
  • Falta de apetite, gerando perda de peso
  • Crescimento rápido e exagerado das unhas
  • Feridas nas bordas das orelhas, criando cascas
  • Lesões ao redor dos olhos, que geram falta de pelos

Quando os rins são afetados, o animal bebe muita água, urinando em grande quantidade.
Alguns animais podem apresentar hemorragia nasal, como se estivessem espirrando sangue.

Diagnóstico

Além da soma dos sintomas, o diagnóstico é feito através de exame laboratorial, normalmente sendo optado pela sorologia. Há, também, o diagnóstico feito pela pesquisa de leishmania na medula óssea do animal.

Tratamento

Até o final do ano de 2016, o medicamento que trata diretamente a leishmaniose canina era proibido no Brasil. Felizmente, após o recente surto da doença, o medicamento foi liberado.

Trata-se de uma solução oral á base de miltefosina, substância capaz de eliminar as leishmanias do organismo do animal doente. Inclusive, ela impede que o mosquito continue transmitindo a leishmania á partir do cão tratado.

O tratamento é feito por 28 dias, com três meses de intervalo. O ciclo pode ser reiniciado, se o veterinário considerar necessário. Infelizmente, a droga não é recomendada para fêmeas grávidas e reprodutores.

Esse medicamento é de uso veterinário exclusivo, portanto, somente ele poderá ministrar.

Prevenção

A outra boa notícia, é que já existe vacinação contra a leishmaniose. São 3 doses de vacina que devem ser aplicadas em consultório veterinário. Não há contraindicações. Qualquer cão, acima de quatro meses, saudável e negativo para a Leish­maniose, pode ser vacinado.

Lembre-se que nenhuma vacina garante 100% de proteção. A resposta á imunização é individual, dependendo de vários fatores.

Estudos demonstram que essa vacina confere entre 92 e 96% de proteção, sempre após as 3 doses. Portanto, mesmo vacinado, seu cão deve usar um repelente contra o mosquito-palha em lugares de infestação.

Além de cuidar do animal, precisamos, também, cuidar do meio ambiente.

O mosquito-palha se prolifera em material orgânico degradado. Por isso, devemos varrer os quintais, para retirar folhas e frutas que caem das árvores, e recolher os dejetos dos animais com mais frequência.

Atenção

É importante salientar que a leishmaniose não é transmitida diretamente dos animais ao ser humano. O contágio sempre é feito através dos mosquitos.

Quando começou o surto da doença, muitos cães chegaram á ser eutanasiados. Sendo pela ignorância á cerca do contágio, ou por não se conhecer os tratamentos e sua prevenção.

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